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OPINIÃO

Jornalismo não se ensina, é talento

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Há quem pense que o jornalismo é apenas saber escrever sem erros, ler notícias ou saber fazer perguntas. Mas quem vive esta profissão na pele, sabe que vai muito além disso. Não se trata apenas de aprender técnicas numa sala de aulas ou seguir regras de estilo. Jornalismo, meus senhores, não se ensina. É talento.

É um fogo cá dentro que não se apaga. Um impulso de querer saber o que está a acontecer, porquê, e contar aos outros antes que o silêncio mate a verdade. O jornalista de verdade não espera ordens. Vai, pergunta, ouve, vê com os próprios olhos e escreve com o coração  mesmo quando a caneta treme ou quando a polícia manda calar.

Pode-se ensinar a usar um microfone, a montar um texto, a fazer uma reportagem. Mas ninguém ensina curiosidade. Ninguém dá coragem numa ficha de avaliação. E ninguém explica como se sente um jornalista ao estar no meio de uma manifestação, com pedras a voar, ou num hospital, a ouvir mães a chorar pelos filhos.

O jornalista nasce com uma inquietação. Uma fome de verdade. Não suporta ver injustiça sem a denunciar. Não aguenta ver o povo sofrer em silêncio sem escrever uma linha que os defenda. E não precisa de diploma para isso. Precisa é de alma, sensibilidade, sentido de justiça e uma boa dose de loucura.

Quantos jornalistas “formados” por grandes universidades se perdem em palavras bonitas mas não conseguem fazer uma pergunta certeira? E quantos outros, sem grande escolaridade, conseguem dar voz ao povo com uma simples frase que entra no ouvido e fica na memória?

O jornalismo que serve o povo não vive nas prateleiras das universidades, vive nas ruas, nos mercados, nas praças e nas feiras. Vive nos olhos atentos de quem vê o que muitos ignoram. Vive nos ouvidos de quem escuta os que ninguém ouve. Vive nas mãos calejadas de quem escreve com verdade, mesmo sabendo que isso pode custar-lhe a liberdade ou a própria vida.

Por isso, sim: o jornalismo pode ter técnicas, mas o verdadeiro jornalismo é talento. É coragem…

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