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SOCIEDADE

Há ausência do Governo em Mucuache, onde falta água, escola e estrada

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Os moradores de Mucuache, no posto administrativo de Muahivire, na cidade de Nampula, afirmam viver num cenário de abandono governamental. A população denuncia a falta de água potável, a degradação da Escola Primária local e o mau estado das vias de acesso, factores que dificultam a circulação de pessoas e bens e agravam as condições de vida da comunidade.

Dependentes sobretudo da agricultura de subsistência, os residentes de Mucuache dizem carregar uma longa lista de promessas não cumpridas.

“Lá do outro lado tem água, mas a partir da escola para cá não tem. Já haviam prometido, mas nunca mais voltaram. Foi há muito tempo”, lamentou Amina Lavieque, camponesa local.

A Escola Primária de Mucuache encontra-se em condições precárias, com apenas duas salas minimamente utilizáveis. A maioria dos alunos estuda ao relento, sob cajueiros transformados em salas de aula improvisadas.

“Aqui estamos a sofrer. A estrada não está boa, a escola está mal e sentamos no cajueiro porque não temos salas”, contou Elísio Félix Amisse, de 17 anos, aluno da 8.ª classe que frequentou o ensino primário naquela escola.

Sem furos de água, os moradores recorrem a poços improvisados nas margens do rio, onde escavam para obter água para consumo.

“Para beber água, costumamos cavar no rio. Estamos mal mesmo”, explicou o jovem.

A estrada de acesso a Mucuache é outro símbolo do esquecimento. Os moradores recordam inúmeras promessas de reabilitação que nunca se concretizaram. Durante a época chuvosa, o isolamento é quase total, dificultando o escoamento da produção agrícola para os mercados urbanos.

“A condição de vida aqui não é das melhores. As autoridades só aparecem quando chega o tempo de campanha. Dizem que lançaram a primeira pedra para a estrada, mas nada foi feito. Não há transporte para levar pessoas da cidade para cá”, desabafou Manuel Paulo Imora, agricultor residente em Mucuache desde 1978.

O agricultor criticou ainda a ausência de assistência técnica do sector agrário, afirmando que os técnicos “aparecem de cinco em cinco anos, apenas em períodos eleitorais”.

“Mesmo aqui temos líderes do partido, mas não líderes do povo. Quando alguém fala pelo povo, dizem logo que é da oposição. Na agricultura há pessoas que ganham muito dinheiro e podiam vir ensinar, mas não estamos a ver isso. Cada um planta como pode, sem calendário”, lamentou.

Enquanto aguardam respostas, os moradores pedem que o Governo cumpra as promessas feitas e olhe para Mucuache com maior atenção e sentido de justiça social. Acreditam que o desenvolvimento local só será possível com estradas transitáveis, escolas seguras e água potável para todos. José Luís

 

 

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