SOCIEDADE
Governo aposta na educação alimentar para travar desnutrição em Nampula
Numa província que ostenta férteis campos agrícolas mas lidera o ranking nacional de desnutrição, o Governo de Nampula quer romper com esse paradoxo através da educação alimentar. Com 46,7% das crianças desnutridas — a taxa mais alta de Moçambique — a Direcção Provincial da Saúde prepara-se para lançar ainda este ano uma ampla campanha de sensibilização voltada para a nutrição comunitária.
A iniciativa será implementada em coordenação com o Gabinete da Esposa do Governador, Nazira Abdula, e com a Direcção Provincial da Agricultura. O foco está nos grupos mais vulneráveis: crianças dos 0 aos 5 anos e mulheres grávidas, que enfrentam os efeitos diretos da má nutrição, apesar da abundância de produtos agrícolas locais.
“Percebemos que, nas comunidades, há um grande desconhecimento sobre como alimentar adequadamente as crianças e as mulheres grávidas. Para isso, já contamos com agentes polivalentes de saúde que ensinam, por exemplo, que o bebé deve ser amamentado de duas em duas horas e que a criança que já consome alimentos sólidos deve comer pelo menos cinco vezes ao dia”, explicou Selma Xavier, directora provincial da Saúde.
Apesar de a província ser considerada um dos celeiros agrícolas do país, a desnutrição mantém-se como um problema estrutural. Segundo Xavier, a solução passa por um esforço multissectorial que ligue saúde, agricultura e abastecimento de água.
“A questão nutricional deve ser abordada de forma coordenada. A saúde tem o papel de sensibilizar e educar; a agricultura e as águas devem garantir que há comida — e que ela se conserva — nas casas das famílias mais pobres.”
O lançamento oficial da campanha será conduzido por Nazira Abdula, que tem mantido uma presença activa em assuntos sociais. Para ela, combater a desnutrição é também uma missão educativa:
“Queremos levar a mensagem nutricional às famílias, para que as mães compreendam como cuidar da sua própria alimentação. Observámos que muitas não têm informação suficiente. Perguntamo-nos frequentemente por que razão Nampula continua a liderar os índices de desnutrição — e a falta de conhecimento é, sem dúvida, uma das principais causas.”
Entre os temas que preocupam as autoridades está o desconhecimento sobre quando iniciar a alimentação sólida, com que frequência alimentar uma criança, ou mesmo como combinar os alimentos disponíveis nas machambas locais para garantir uma refeição nutritiva.
A expectativa é que, através desta campanha, se construa uma nova cultura alimentar nas comunidades, capaz de transformar a abundância agrícola de Nampula em saúde real à mesa das famílias. Daniela Caetano
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