POLÍTICA
Governador de Nampula quer Governo orientado pela produção científica da academia
Eduardo Abdula desafia universidades a liderar soluções contra a desnutrição crónica na província
O governador da província de Nampula, Eduardo Abdula, defendeu esta quinta-feira (10) que os membros do Governo devem orientar as suas decisões com base na produção científica da academia moçambicana. Para tal, apelou à integração efectiva das universidades no desenho e implementação de políticas públicas, com especial destaque para o combate à desnutrição crónica.
O posicionamento foi expressado durante a cerimónia de abertura da Primeira Conferência Internacional de Nutrição e Agronegócio, realizada na cidade de Nampula, que reuniu decisores políticos, reitores universitários, investigadores, empresários e parceiros internacionais.
“Não basta formar quadros. Precisamos de ciência aplicada”
Para Abdula, é urgente que a academia ultrapasse o papel tradicional de formação e passe a ocupar uma posição de liderança na definição de soluções para os grandes desafios sociais. “Estamos a olhar para as academias apenas como centros de formação. Precisamos trazê-las para a dianteira da acção governativa, com responsabilidade, para nos indicarem onde está o problema e como resolvê-lo”, afirmou.
Numa intervenção carregada de apelo emocional e exigência institucional, o governador fez referências directas aos reitores da UniLúrio, UniRovuma, Universidade Joaquim Chissano e da Academia Militar, reconhecendo o mérito das instituições, mas exigindo maior impacto prático. “Eles produzem documentos e nós não os lemos. Isso tem que mudar”, advertiu, apelando a uma nova cultura de governação baseada em evidência científica.
Combate à desnutrição exige acção conjunta
Classificando a desnutrição como “um desafio transversal”, Abdula defendeu que o seu combate não será vencido com discursos ou boas intenções, mas com acções concretas e colaboração entre sectores. “Não quero morrer sozinho. Quero morrer com vocês também nesta luta. Todos nesta sala são responsáveis”, declarou.
O governador foi mais longe, criticando o excesso de reuniões e o uso ineficaz de recursos: “Estamos a falhar. Talvez estejamos a gastar o dinheiro de forma imprópria. Precisamos de rever estratégias com urgência.” Faizal Raimo
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