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ECONOMIA

Fossas entupidas provocam mau-estar nas imediações do Centro de Saúde 25 de Setembro

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As fossas entupidas do Centro de Saúde 25 de Setembro, na cidade de Nampula, estão a criar um grave problema de mau cheiro que afecta há pelo menos cinco anos os moradores do bairro Mutauanha. Desesperadas, as famílias afirmam que a situação constitui um autêntico atentado à saúde pública e dizem já ter perdido a esperança numa solução efectiva por parte das autoridades sanitárias.

Segundo os residentes, o odor nauseabundo começa a intensificar-se por volta das 11 horas e mantém-se até ao final da tarde, tornando impossível realizar actividades básicas dentro das próprias casas. Muitos são obrigados a deslocar-se para residências vizinhas apenas para conseguir fazer refeições ou garantir algum conforto. “Passamos muito mal com o cheiro. Já tentamos reclamar, mas nada acontece. Até falei com a própria directora do hospital. Para comer, temos de mudar de casa”, relatou Amandio Felizardo, morador e proprietário de um bar que já perdeu praticamente toda a clientela devido ao problema.

Os moradores suspeitam que o mau cheiro tenha origem em resíduos biológicos provenientes da maternidade, incluindo material orgânico que deveria ter tratamento especializado. Algumas residentes afirmam que o problema já foi parcialmente resolvido no passado após uma carta de reclamação, mas voltou com a mesma intensidade meses depois. A maioria descreve uma rotina de portas e janelas fechadas, crianças confinadas e dificuldades de convivência diária. “Já fomos várias vezes à direcção, mas ninguém parece interessado. O cheiro continua e já não temos movimento por causa disso”, lamentou outra moradora, em anonimato.

A equipa do Jornal Rigor deslocou-se ao local e constatou sinais claros de negligência: capim alto em redor, fossas mal cobertas com blocos soltos de cimento, caixas contendo papéis e material médico obsoleto próximo às casas de banho e um cheiro intenso espalhado pelo pátio traseiro da unidade sanitária. O cenário mais se assemelhava a uma lixeira improvisada num recinto que deveria respeitar normas mínimas de higiene hospitalar.

Confrontado pelo Rigor, o sector da Saúde reconheceu a existência do problema, classificando-o como “antigo e complexo”. A directora provincial de Saúde, Selma Xavier, confirmou que a fossa existente “foi mal construída” e “não é adequada para depósito de placenta”, o que dificulta qualquer intervenção imediata. Disse ainda estar a trabalhar com o Conselho Municipal, Obras Públicas e o Governo Provincial para encontrar uma solução estrutural.
“É um problema antigo e ainda não está resolvido. Estamos a ver com os três sectores como podemos desentupir aquele local. Talvez até janeiro tenhamos respostas. Pedimos mais um pouco de paciência”, declarou.

Enquanto isso, o mau cheiro continua a condicionar a vida dos moradores, a afastar clientes de pequenos negócios e a comprometer a dignidade e o bem-estar da comunidade. Para muitos, a paciência está perto do limite e a exigência é clara: uma intervenção urgente antes que a crise evolua para danos mais sérios à saúde pública. José Luís

 

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