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SOCIEDADE

Falta de sigilo da polícia obriga cidadãos em Nampula a calar-se perante crimes

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A falta de sigilo por parte de alguns agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) está a levar munícipes residentes na cidade de Nampula a optarem pelo silêncio diante de crimes, por medo de represálias e desconfiança nas autoridades.

A denúncia foi feita durante uma reunião de ligação polícia–comunidade promovida pelo Comando Provincial da PRM, em Nampula, no âmbito da Semana da Legalidade, um evento anual que visa reforçar a aproximação entre as forças da ordem e as populações.

A denúncia chegou por parte de um dos chefes de quarteirão da zona militar, na cidade de Nampula, Silva Tonhiwa. Segundo afirmou o secretário, que se apresentou na reunião como igualmente membro do policiamento comunitário na zona militar, há casos em que os próprios responsáveis policiais revelam a identidade de quem apresentou uma queixa ou denúncia.

“Há pessoas que vão ao posto denunciar gatunos, mas depois o chefe policial revela quem falou. Isso deixa o denunciante vulnerável e cria medo na comunidade. Muitos já não querem colaborar porque ficam expostos”, afirmou.

Tonhiwa acrescentou que, em bairros como Namutequeliua, a convivência próxima entre moradores torna ainda mais sensível o acto de denunciar.

“Alguns gatunos são nossos filhos, sobrinhos ou vizinhos. Quando se descobre que fomos nós a denunciar, passamos a ser vistos como traidores. Por isso, há quem prefira calar-se, mesmo sabendo quem cometeu o crime”, lamentou.

A mesma preocupação foi partilhada por outros líderes comunitários, que apelaram ao comando distrital para reforçar a ética e o profissionalismo dos agentes de base.

Outro ponto levantado na reunião foi o abandono do posto policial da Unidade Comunal Marien Ngouabi, em Namutequeliua, vandalizado durante as manifestações violentas. O chefe do quarteirão 25, Julião Silvério, apelou à recuperação urgente da infra-estrutura.

“Desde aquelas manifestações, o posto está destruído e nunca mais foi reabilitado. Já escrevemos ao comando provincial e ao conselho municipal, mas até agora não há resposta. Há muita marginalidade na zona, e a falta desse posto só piora a situação”, lamentou.

Apesar das críticas, a comunidade reconheceu avanços no policiamento comunitário, particularmente nas zonas mais vulneráveis. O chefe do quarteirão 14 da mesma unidade comunal, Arique Fernando, destacou a intervenção da 4.ª Esquadra, que, segundo disse, conseguiu neutralizar um grupo criminoso que aterrorizava o bairro há meses.

“Há quatro meses vivíamos sob ataque do grupo 15, que assaltava até de manhã. Com a presença e o apoio da 4.ª Esquadra, a situação mudou completamente”, reconheceu.

O comando da PRM, presente na reunião através da directora de Disciplina e Ética, Fátima Bachir, garantiu que as preocupações seriam encaminhadas às instâncias competentes e apelou à continuação do diálogo entre a polícia e a população. Segundo ela, a eficácia da segurança pública depende da colaboração, confiança e comunicação entre as partes.

Sem abordar directamente o problema apresentado, relacionado com a falta de sigilo por parte de alguns agentes, a directora de Disciplina e Ética do Comando Provincial da PRM, Fátima Bachir, que dirigiu a reunião, falou sobre a importância da denúncia como instrumento de justiça, sublinhando que o cidadão deve sentir-se protegido e acolhido nas instituições do Estado. Segundo a dirigente, a confiança entre a população e as forças da ordem depende da forma como as pessoas são tratadas quando procuram ajuda. Faizal Raimo

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