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ECONOMIA

Falta de espaço trava instalação de laboratórios na UniRovuma

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Obras do novo campus permanecem paralisadas por falta de fundos de investimento

A Universidade Rovuma (UniRovuma) enfrenta falta de espaço para instalar novos laboratórios e ampliar a sua capacidade de ensino, numa altura em que as obras do novo campus universitário estão paralisadas há vários anos por falta de orçamento.

O alerta foi feito pelo Reitor da instituição, Professor Doutor Mário Jorge Brito dos Santos, que explicou que a UniRovuma recebeu seis dos oito contentores com equipamentos laboratoriais avaliados em cerca de 600 milhões de meticais, destinados a reforçar a formação prática nas áreas de engenharia e tecnologia. No entanto, a falta de infra-estruturas adequadas está a impedir a montagem dos novos laboratórios, obrigando a instituição a armazenar parte do material em nove salas de aula.

Segundo o dirigente, o projecto do campus de raiz, que devia acomodar a totalidade dos novos equipamentos e projectos académicos, foi iniciado pelo Governo, mas acabou interrompido devido à suspensão das verbas de investimento.

“A obra parou exactamente no ponto até onde o Governo conseguiu financiar. Desde então, não houve mais investimento”, afirmou Mário Jorge Brito dos Santos, acrescentando que o actual Orçamento do Estado não prevê recursos para a construção de novos pavilhões laboratoriais.

A universidade defende a edificação de pelo menos oito pavilhões para instalar os equipamentos e garantir melhores condições de ensino técnico e científico. Apesar de já dispor de material moderno nas áreas de engenharia civil, eléctrica, electrónica e informática, parte significativa continua sem utilização plena por falta de espaço apropriado.

“Temos vontade e temos equipamentos, mas precisamos de laboratórios e salas adequadas para responder à crescente procura”, explicou o reitor.

A paralisação das obras limita a abertura de novos cursos, reduz a capacidade de acolher mais estudantes e compromete a componente prática da formação, especialmente nas áreas técnicas.

“O investimento na educação não é despesa perdida. Quando investimos hoje, estamos a preparar o futuro do país”, sublinhou.

O dirigente considera que a retoma das obras deve ser tratada como prioridade estratégica, sob risco de a instituição ver travado o seu crescimento e a qualidade do ensino superior em Nampula.

Dificuldades para pagar energia

Num outro desenvolvimento, o reitor revelou que a universidade também enfrenta dificuldades para pagar despesas como água e energia eléctrica, não por falta de receitas, mas devido às limitações no uso dos fundos próprios.

Segundo explicou, as propinas e outras receitas são depositadas na Autoridade Tributária e seguem para o Ministério das Finanças, sendo posteriormente devolvidas à instituição. No entanto, o processo nem sempre é célere.

“Nem sempre o dinheiro volta a tempo. E quando não volta, mesmo tendo produzido esse dinheiro, não conseguimos pagar energia ou água”, afirmou.

O reitor acrescentou que utilizar directamente esses valores, fora do circuito legal, pode ser interpretado como acto de corrupção, mesmo quando o objectivo é garantir o funcionamento normal da instituição.

Brito dos Santos defende maior flexibilidade para que universidades que geram receitas próprias possam resolver despesas urgentes, evitando constrangimentos que afectam estudantes, docentes e funcionários.

Para a direcção da UniRovuma, a solução passa por duas frentes: retomar o investimento nas infra-estruturas físicas e criar mecanismos que permitam maior autonomia na gestão de recursos, garantindo estabilidade académica e melhores condições de ensino. Faizal Raimo

 

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