ECONOMIA
Ethalo: a bandeja que transformou comida caseira num ponto de encontro cultural
No recinto do Museu Nacional de Etnologia, em Nampula, entre o movimento da cidade e o silêncio do espaço cultural, há um aroma que se impõe: comida caseira feita no fogo, com tempo e tradição. É ali que Isabel Mussa construiu, com esforço próprio, o Ethalo — um espaço onde se serve mais do que refeições.
Em Emakhuwa, ethalo é a bandeja onde duas, três ou até quatro pessoas comem juntas. Foi essa prática de partilha que deu nome ao negócio. Quando grupos chegam para almoçar, a comida é colocada numa única bandeja no centro da mesa, recriando um gesto ancestral que transforma a refeição em momento de convivência.
Desde 2011, Isabel encontrou na cozinha o seu sustento. Sem estudos concluídos, mas com talento e persistência, começou pequena e enfrentou dias difíceis até consolidar o espaço. Hoje prepara entre 50 a 60 pratos por dia, com destaque para xima, arroz, revuada e peixe tocossado — sabores que fidelizam clientes.
Actualmente, cinco trabalhadores ajudam no atendimento. Mãe de oito filhos e avó de seis netos, Isabel mantém a família com o rendimento do Ethalo, mesmo enfrentando o aumento dos custos dos produtos.
Num contexto em que o desemprego continua a afectar muitas mulheres em Nampula, o Ethalo tornou-se mais do que um espaço de comida caseira. É ponto de encontro, elo cultural e exemplo de empreendedorismo feminino.
Como resume um dos clientes habituais, Bento António Marcelo: “Pelo sabor, percebe-se que é bem preparado.” E é precisamente nesse sabor partilhado que o Ethalo constrói comunidade.
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