SOCIEDADE
Dom Inácio Saúre condena falta de sinceridade na reconciliação em Moçambique
O arcebispo de Nampula apontou que a ausência de uma reconciliação sincera no país resulta em frequentes episódios de instabilidade política em Moçambique.
Dom Inácio Saúre, que ocupa a presidência do Conselho Episcopal de Moçambique, destacou que, para que ocorra uma verdadeira reconciliação, é necessário haver uma genuína disposição nos corações daqueles que anseiam por esse processo. Além disso, é fundamental que eles saibam ouvir, conforme mencionado nas escrituras de Mateus 11:15 e Marcos 3:23.
“Eu estou convencido de que em Moçambique, os processos de reconciliação sempre descarrilam porque falta a abertura sincera do coração, para a busca da verdadeira reconciliação, se alguém tem ouvidos para ouvir”, afirmou, prosseguindo: “É isso que falta neste país. Jesus costumava usar essa expressão para mostrar que existem pessoas dispostas a ouvir, mas que não têm interesse em entender realmente o que está sendo exposto”.
Segundo o arcebispo de Nampula, quando há desavenças entre os indivíduos, não pode haver reconciliação com Deus.
“Deus recusa os gestos de amor que se pretendem mostrar para com ele quando os irmãos se matam e o nosso ofertório, ainda que seja de grande valor de dinheiro, coisas materialmente, fica lá no cesto diante do altar nunca vai para os céus”, afirmou, esclarecendo que Deus trabalha como um mediador das relações humanas. Por isso, antes de cultivar uma boa relação com Ele, é fundamental estabelecer relações saudáveis entre as pessoas.
“As coisas não vão bem no nosso país e todos nós somos testemunhas disso, é preciso coragem para dar o primeiro passo verdadeiro para pôr o fim a este calvário, todos nós somos chamados a construir no mundo e em Moçambique em particular, uma sociedade. O homem não logo para o outro homem, em Moçambique o homem transformou-se logo para o homem, todos nós somos convidados a construir uma sociedade onde as pessoas se amam, uma sociedade onde tudo aquilo que envenena o nosso país é evitado”, afirmou Dom Inácio Saúre.
Dom Inácio Saúre afirma que é essencial que os moçambicanos se dediquem colectivamente à reconstrução da reconciliação, a qual ele vê como fundamental para a sobrevivência.
“A história nunca perdoará os tiranos que negam reconciliar-se só com medo de perderem privilégios ilegítimos e até pecaminosos. A maldade nunca é boa coisa para o ser humano, assim como nós lembramos Deus pela boca do profeta Ezequiel pela primeira leitura: o homem que se obstina do mal, na prática da maldade assumirá as suas responsabilidades e é Deus o seu justo juiz e não os juízos mundanos”.
O arcebispo de Nampula, falava numa homilia, na última Sexta-feira, alusiva à cerimónia de início do ano lectivo de 2025 na Universidade Católica de Nampula, que também marca o início das celebrações do trigésimo aniversário da instituição. Raufa Faizal
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