SOCIEDADE
Dom Inácio Saure apela à coragem diante da injustiça e da corrupção
O arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saure, apelou, na noite desta quarta-feira (24), para que os cidadãos não se calem diante das injustiças que marcam a sociedade moçambicana, defendendo uma postura corajosa e profética, inspirada na fé cristã.
O prelado falava durante a missa solene de Natal, celebrada na Sé Catedral de Nampula, alusiva ao nascimento de Jesus Cristo, ocasião em que evocou o profeta Isaías como exemplo de esperança e de denúncia em tempos de sofrimento colectivo.
“Queridos irmãos, será que nós hoje podemos também ver, como o profeta Isaías, a realidade do nosso país? Muitas vezes vivemos dias difíceis, mas Isaías anunciava palavras de esperança, dizia que nunca se deve deixar de falar por amor a Deus e por amor ao seu povo. Este também é o nosso dever”, afirmou.
Na sua homilia, Dom Inácio sublinhou que o nascimento de Jesus representa a chegada da luz num mundo mergulhado em trevas, recordando que o contexto bíblico do Natal é marcado por conflitos, violência, medo e exclusão — realidades que, segundo disse, continuam presentes nos dias actuais.
O arcebispo foi particularmente crítico em relação às instituições públicas, incluindo as religiosas, políticas e de justiça, que, no seu entender, se deixaram contaminar por práticas como corrupção, favoritismo, servilismo e injustiça social.
“Jesus quer encontrar espaço nas instituições tão religiosas e políticas, onde se instalou o culto da personalidade, a bajulação, o servilismo, a corrupção e o clientelismo. Jesus quer encontrar espaço nas instituições de justiça, que se tornaram promotoras de injustiças, onde muitas vezes o inocente e o pobre são condenados, enquanto o rico é protegido”, denunciou.
Dom Inácio defendeu que os cristãos não devem assumir uma postura passiva perante a realidade social, sublinhando que a fé exige compromisso e coragem. “Podemos e devemos ser profetas corajosos na nossa vida”, afirmou, advertindo que, sempre que Deus é excluído da vida social e das relações humanas, perdem-se também a paz, a justiça e a dignidade.
Durante a homilia, o arcebispo de Nampula lamentou ainda o ambiente generalizado de desânimo e a atitude de aceitar uma situação difícil, dolorosa ou injusta sem protestar ou resistir, muitas vezes por se sentir que não há como mudá-la, realidade que, segundo disse, marca o país e se traduz na perda de esperança e entusiasmo.
“De todos os lados parece vir um tom menor de desânimo, de impotência. Vive-se porque se tem de viver, ou, como se diz aqui em Moçambique: ‘fazer o quê?’. Parece que a vida perdeu convicção, entusiasmo e alegria”, observou.
A celebração foi igualmente marcada pelo baptismo de 46 adolescentes e três crianças, momento que Dom Inácio descreveu como sinal de renovação da fé cristã e de compromisso das famílias e da comunidade com os valores do Evangelho.
No final, o arcebispo apelou para que os fiéis se deixem guiar pela luz de Jesus, escolhendo o Messias dos pobres e dos excluídos, capaz de restaurar a esperança e promover uma paz assente na justiça e na verdade. Vânia Jacinto
-
SOCIEDADE4 meses atrásUniRovuma abre inscrições para exames de admissão 2026
-
CULTURA1 ano atrásVictor Maquina faz sua estreia literária com “metamorfoses da terra”
-
SOCIEDADE2 anos atrásIsaura Nyusi é laureada por sua incansável ajuda aos mais necessitados e recebe título de Doutora
-
DESPORTO1 ano atrásReviravolta no Campeonato Provincial de Futebol: Omhipithi FC é promovido ao segundo lugar após nova avaliação
-
OPINIÃO2 anos atrásO homem que só gostava de impala
-
ECONOMIA8 meses atrásGoverno elimina exclusividade na exportação de feijão bóer e impõe comercialização rural exclusiva para moçambicanos
-
POLÍTICA9 meses atrásGoverno de Nampula com nova cara: nove novos administradores e várias movimentações
-
OPINIÃO2 anos atrásDo viés Partidocrático à Democracia (Participativa)
