SOCIEDADE
Dispara a corrida por cartas de condução profissional em Nampula
Perante a escassez de oportunidades de emprego formal, um número crescente de jovens da província de Nampula tem apostado na obtenção de cartas de condução para veículos pesados e profissionais como estratégia de sobrevivência económica. Para muitos, conduzir deixou de ser apenas uma vocação — tornou-se a única alternativa viável de sustento.
Dados do Instituto Nacional de Transportes Rodoviários (INATRO) revelam que, entre Janeiro e Abril de 2025, foram submetidos 780 pedidos de cartas profissionais, mais do que o dobro dos 388 registados no mesmo período do ano anterior. A tendência, que se tem acentuado nos últimos oito anos, confirma a corrida silenciosa da juventude pelo volante, em busca de emprego e dignidade.
“Nestes últimos oito anos, a carta de condução tem sido sinónimo de emprego. Como a maioria dos requerentes são jovens, muitos deles já estudaram e continuam desempregados, procuram na carta de condução uma oportunidade para exercer alguma actividade remunerada,” explicou Abubacar Massama, delegado provincial do INATRO em Nampula.
O Jornal Rigor conversou com vários jovens que confirmam esta realidade. Para Gufaia Francisco, que terminou os estudos há cinco anos, tirar a carta representa a única esperança concreta de inserção no mercado:
“Vejo a carta de condução como a única forma de sustento neste momento. Trabalhar para o Estado é quase impossível, e as empresas privadas exigem muito mais do que pagam. O que me resta é trabalhar com o povo, como motorista de semi-colectivos.”
Outros entrevistados relataram dificuldades no processo de emissão das cartas, o que compromete directamente as oportunidades de trabalho. Um transportador de cargas, que pediu anonimato, partilhou a frustração:
“Estou desde o ano passado à espera da minha carta biométrica. O INATRO não dá respostas concretas, e isso está a afectar as minhas actividades. Trabalho a carregar pedras nas pedreiras, mas sem o documento não posso avançar.”
Nelson Joaquim, por sua vez, contou ter perdido cinco oportunidades de emprego em dois anos, por não conseguir concluir o processo de emissão da carta:
“Com a carta, eu poderia concorrer a várias vagas. Sonho com uma empresa que me aceite como motorista, mas a demora na emissão está a travar tudo.”
A urgência em encontrar saídas também levou Faizal Artur, recém-finalista do ensino médio, a optar por tirar a carta de condução em vez de prosseguir os estudos:
“Embora tenha acabado de sair da escola, já sinto o peso do desemprego. Com uma carta posso procurar trabalho em empresas ou como motorista particular. É a única via realista neste momento.”
A pressão por uma resposta mais eficaz do INATRO e a ausência de políticas públicas activas para o emprego juvenil evidenciam a necessidade urgente de intervenções estruturais. Enquanto o país não alarga a sua base produtiva nem dinamiza o mercado de trabalho, milhares de jovens continuam a ver no volante a única estrada possível para o seu futuro. Daniela Caetano
-
SOCIEDADE5 meses atrásUniRovuma abre inscrições para exames de admissão 2026
-
SOCIEDADE2 anos atrásIsaura Nyusi é laureada por sua incansável ajuda aos mais necessitados e recebe título de Doutora
-
CULTURA1 ano atrásVictor Maquina faz sua estreia literária com “metamorfoses da terra”
-
DESPORTO2 anos atrásReviravolta no Campeonato Provincial de Futebol: Omhipithi FC é promovido ao segundo lugar após nova avaliação
-
OPINIÃO2 anos atrásO homem que só gostava de impala
-
ECONOMIA9 meses atrásGoverno elimina exclusividade na exportação de feijão bóer e impõe comercialização rural exclusiva para moçambicanos
-
POLÍTICA10 meses atrásGoverno de Nampula com nova cara: nove novos administradores e várias movimentações
-
OPINIÃO2 anos atrásDo viés Partidocrático à Democracia (Participativa)
