OPINIÃO
Dia da Criança à vista, mas nem todas são lembradas
Chegou a semana do Dia Internacional da Criança e, com ela, uma nova atmosfera tomou conta de Nampula. O cheiro de roupas novas, o brilho dos brinquedos nas montras e o vai-e-vem de pais e encarregados de educação anunciam a festa. O comércio intensificou o movimento com vitrinas coloridas e promoções dedicadas aos mais pequenos.
Mas há um paradoxo: pais que ao longo do ano gritam, negligenciam ou maltratam os próprios filhos, agora surgem de mãos dadas com os mesmos meninos que deviam proteger todos os dias. É bom que os abracem — mas seria melhor que cuidassem com responsabilidade, mesmo sem festa.
Enquanto parte da cidade se movimenta para celebrar, outra permanece esquecida. São as crianças de rua, órfãs ou em situação de extrema vulnerabilidade — quase sempre ausentes das estatísticas e dos programas oficiais. Para elas, o 1 de Junho passa como qualquer outro dia: sem presentes, sem festa, sem voz.
Mais grave que a ausência de acções é o silêncio. Ao contrário de outros meses, não se viu nenhum dirigente partilhar um lanche com os meninos do Mercado Novo ou circular pelas ruas para ser fotografado com os que vivem à margem. O que se ouviu foi apenas a reclamação do edil de Nampula sobre a presença dos “meninos de rua” — como se o problema fosse eles estarem ali, a vasculhar lixo à procura de uma garrafa ou de uma bolinha de chima.
As nossas “mamas” — esposas dos líderes que, na época do ciclone Jude, prometeram união em torno do apoio ao próximo — deviam ter feito desta semana uma oportunidade para reafirmar o seu compromisso com a infância, com mais acções e menos palavras. Mas o simbolismo dessa união ainda está distante da realidade dos becos, dos centros de acolhimento, das escolas abandonadas e das ruas sem nome onde crescem os esquecidos.
O Dia Internacional da Criança não deve ser apenas um momento de consumo. É uma oportunidade de reflexão e de compromisso com a dignidade de todos os menores, sem distinção de raça, género, condição económica ou origem.
Que esta semana seja também um tempo de correcção. Que o Governo, as escolas, as organizações sociais e as famílias se lembrem de que o 1 de Junho é uma celebração universal. Que os sorrisos das montras se estendam aos bairros esquecidos. Que nenhuma criança fique para trás.
Porque todos os direitos, todas as festas e todas as esperanças devem ser para todas as crianças.
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