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OPINIÃO

Da erosão ao FIPAG 

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“Não crie expectativas. Beba água! Se nada der certo, pelo menos você está hidratado!” In: https://www.42frases.com/frases-sobre-a-agua/

Por: Milagre Boquisso

A dedicação de um Profissional é medida pela forma como protege o seu ganha pão. E, ignorar esse factor pode ser devastador para o empresário. Para a nossa realidade, empresas são tratadas como a casa da mãe Joana. As empresas estatais ou intervencionadas pelo Estado, todos nós, neste caso, são exemplo de diversas formas de dilapidação assente na falta de dedicação dos colaboradores, afinal, o salario vai cair, não importa a baixa facturação. Engane-se que acha que quero falar da endémica corrupção que nos agraça a cada dia quando abrimos os jornais, vemos os noticiários ou em conversa de café ao ouvirmos boladas loucas em que, por vezes, somos parte activa. Afinal ter algum privilégio nos dá graça.

A Cidade de Nampula vive o drama da erosão, processo de desgaste e transporte de materiais na superfície da terra, como solo e rochas, por agentes naturais como a água, vento ou outras formas. A Acção humana também contribui sobre maneira para o fenómeno. E hoje quero falar da acção humana associada a uma negligência colossal e que em fim último, lesa o Estado!

Nos últimos anos a Cidade de Nampula se debate com a restrição com relação à distribuição de água pelo sistema formal de abastecimento e, ainda assim, as facturas caiem tipo folhas em casa dos consumidores. Congratular a tutela da área de distribuição de água que levantou a ordem que indicava que toda a reclamação deveria ser feita depois do pagamento da factura. Essa roubalheira tornava o monopólio de distribuição de água um agente autoritário e abusivo para os consumidores. Quer dizer, eu não concordo com o que é indicado como meu consumo mensal, ainda assim tinha que pagar para depois reclamar. Não sei se houve algum caso de sucesso neste procedimento, mas era um método de extorsão terrível.

Com a crise generalizada no fornecimento de água aos munícipes de Nampula, eis que a distribuidora se dá o luxo de geral e ignorar desperdícios vistos ao olho nu pela cidade e pelos bairros de expansão. Para ver que a água jorra nas nossas torneiras, regra geral, as ruas nos recebem com jactos corrosivos acentuando a erosão que caracteriza alguns bairros. Em algumas zonas, os charcos criados criam gincanas terríveis para os munícipes, desde as motas, carros e pedestres e, com a acentuada insensibilidade e falta de solidariedade que nos caracteriza, assistem-se barricadas como quem diz “vai pela água mesmo”! Até, por espanto, as pessoas se perguntam pela manhã “será que choveu ontem à noite?” Mas não se trata de uma rede de distribuição de água que, não necessariamente obsoleta, mas desordenada e pouco controlada permitindo um desperdício colossal do precioso líquido. E, hoje virou nosso sinal. Ao ver os charcos logo ligamos para casa, “filho, esposa, está a sair água!

Cidadãos de boa fé perderam a esperança de intervenção ao ligar para as linhas verdes do FIPAG que sempre terminam em “está anotado”. Lá no copo, cogita-se a solicitação do INGD para ver se pode criar grupos que actuam em casos de emergência para ver se se coloca um barco como forma de minimizar os efeitos dos crónicos charcos (com algum exagero)!

Mais doloroso não é a inercia do atendente da linha do cliente! É ver um homem carregado de facturas que bate a porta das nossas casas, por vezes bem equipado para evitar os charcos, bem tranquilo e respeitoso a deambular de casa em casa para cobrar o consumo mensal! Com os custos altos do metro cubico, até parece que foi montado, à entrada do bairro, um contador geral para que a cada mês se divida pelos clientes os custos do desperdício que, para além de corroer o bolso do cidadão, contribui para acentuar a erosão nos bairros da periferia. Quer dizer, aquele homem não reporta aos chefes o que vê nos bairros?

Há quem pode cogitar que as comunidades cortam os tubos para ter acesso ao precioso líquido, uma vez que, em algumas zonas se assiste a gincana de mulheres e crianças a seguir os tubos para aceder à água que, por vezes, era uma linha de um cliente frustrado com o cenário de escassez que se assiste. Ainda assim, mesmo que o referido trabalhador seja solidário com aquele grupo que tem, nos tubos desorganizados e ou descontinuados por qualquer razão, acho que deveria ser feito alguma coisa.

A título de exemplo, outros munícipes que me ajudem, para que vai a Escola Secundária de Cossore, assiste a uma rua que engole um individuo de, pelo menos um metro e sessenta que deixa casas suspensas por conta da erosão que é acentuada pelas águas do FIPAG. Não estamos a ver? Isso não afecta a colecta de receitas?

Veja que nem estou a falar da qualidade de água, porque este é um outro assunto! Sobre isso iremos falar num outro momento!

Ao FIPAG urge rever a atenção que dedica às ligações de água que foram descontinuadas para o bem de todos.

Bem Haja

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