SOCIEDADE
Comando policial reabre em Muriaze e população volta a sentir segurança
Depois de sete meses marcados pelo medo e pelo aumento da criminalidade, os moradores do posto administrativo de Muriaze, no distrito de Nampula, voltaram a respirar alívio com a reabertura do comando local da Polícia da República de Moçambique (PRM). A unidade policial havia sido encerrada na sequência dos tumultos violentos registados em Namachilo, durante os quais a esquadra e a secretaria local foram parcialmente destruídas.
Com a retirada temporária da força policial, a população ficou entregue à insegurança. Roubos e actos de vandalismo tornaram-se frequentes, aproveitando-se da ausência de autoridade. No entanto, com o regresso dos agentes, a tranquilidade começou a ser restaurada.
“Depois das manifestações o crime aumentou. Havia muitos roubos. Agora, com a chegada da polícia, estamos mais tranquilos”, afirmou António Domingos, residente local, acrescentando que a destruição do posto administrativo também dificultou a emissão de documentos. “Agora só podemos tratar BI ou certidões na cidade. O próprio presidente esteve aqui, viu o que aconteceu e ouvimos dizer que vão reabilitar o posto.”
Para além da segurança, a comunidade enfrenta ainda a ausência de serviços básicos, como uma unidade de saúde. “Estamos a pedir um hospital. Continuamos a sofrer por não termos um aqui. Para chegar a Namachilo demora quase uma hora. Se alguém adoecer à noite, é muito triste. A doença piora no caminho”, lamentou Domingos.
Outro morador, António João, confirma que os roubos aumentaram com a ausência policial e reforça o apelo pela reconstrução dos serviços públicos. “Antes da polícia voltar, estávamos sem segurança. Agora está melhor. Precisamos também de um hospital. A distância até Maratane ou Namachilo é longa, e muitas mulheres dão à luz no caminho, em condições perigosas.”
Já José Gosto Hismaliha recorda que, durante os meses sem presença policial, jovens aproveitavam para cometer crimes impunemente. “Havia roubos, e os próprios delinquentes diziam que não havia comando, que ninguém os podia deter. Com a chegada dos agentes da PRM, isso melhorou muito. Mas continuamos a tratar documentos só na cidade, e o hospital mais próximo fica a 7 ou 10 km. É longe. O governo devia organizar um centro de saúde aqui, porque somos muitos em Muriaze, e os postos de Namachilo e Maratane já não chegam para todos.”
A reabertura do comando policial representa um sinal de esperança para Muriaze, mas a população insiste que a segurança deve vir acompanhada da reconstrução das infraestruturas e da garantia de serviços públicos essenciais.
Muriaze foi um dos locais onde a tensão política se acentuou durante as manifestações populares registadas no início do ano. A localidade ganhou destaque nacional ao tornar-se um dos pontos mais sensíveis da crise, com a destruição de infraestruturas públicas e a retirada temporária da força policial. O grau de instabilidade foi tal que Muriaze integrou o roteiro da primeira visita oficial do Chefe de Estado à província de Nampula, numa clara demonstração da importância atribuída à estabilização e reconciliação naquela região.
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