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SOCIEDADE

ANAPRO defende resgate dos valores da profissão docente que perdeu dignidade no país

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A Associação Nacional dos Professores (ANAPRO) em Nampula, considera que a profissão docente em Moçambique perdeu dignidade e reconhecimento, exigindo um esforço nacional para resgatar o respeito e a valorização de quem educa. A posição foi expressa pelo secretário distrital da ANAPRO em Nampula, Amisse Manuel Mussa, durante as celebrações do Dia do Professor.

Segundo Mussa, a missão dos professores é imensa, mas não tem sido acompanhada pela valorização devida. “O professor perdeu o valor, perdeu a dignidade. Este é um grande desafio para todos nós e precisamos de reflectir sobre como recuperar essa valorização”, disse, apelando à união de governantes, gestores escolares, pais, encarregados de educação e alunos.

O dirigente destacou que a crise de reconhecimento impacta directamente a qualidade do ensino, que classificou como “muito baixa”. Para a ANAPRO, a melhoria da educação depende de respeito e melhores condições de trabalho. “Não há futuro seguro para as nossas crianças se o professor continuar a ser tratado como secundário”, alertou.

Entre os problemas enfrentados, Mussa sublinhou os atrasos salariais recorrentes, que deixam professores sem vencimento até depois do dia 7 de cada mês, e as dívidas acumuladas das horas extras. “O Governo insiste em arrastar esta questão, repetindo a mesma música sem resolver. É preciso pagar ao professor o que lhe pertence”, afirmou.

Apesar das adversidades, o secretário da ANAPRO frisou que ser professor continua a ser uma missão nobre e insubstituível. “Não há médico, engenheiro ou jornalista que não tenha passado pelas mãos de um professor. Por isso exigimos respeito e valorização para esta profissão que sustenta todas as outras”, realçou.

Mussa acrescentou que o resgate da dignidade docente não depende apenas do Estado, mas de toda a sociedade. “Pais, comunidades e alunos devem estar ao lado dos professores. Só assim poderemos devolver à educação o papel central que ela deve ocupar”, observou.

No fecho da sua intervenção, criticou ainda a forma como a ONP tem monopolizado as celebrações do Dia do Professor, impedindo outras organizações de partilhar as suas mensagens. “A festa deve ser de todos os professores, e não apenas de uma instituição. O monopólio não serve à unidade nem ao fortalecimento da nossa classe”, concluiu. Faizal Raimo

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