SOCIEDADE
Agricultura recomenda poda, uso de aves e agentes biológicos para travar praga do Namunene
A Direcção Provincial da Agricultura em Nampula recomenda três formas distintas e complementares de controlo da lagarta do pinheiro, localmente conhecida por Namunene. Segundo o director Manuel Chicamisse, o primeiro método é mecânico, através da poda das árvores infestadas, o que provoca a queda das lagartas e reduz a sua presença imediata.
O segundo método é biológico, aproveitando a ajuda da própria natureza. Muitas aves alimentam-se destas lagartas quando elas caem ao chão ou ficam expostas, contribuindo para diminuir a infestação nos quintais e jardins. “Se o ambiente estiver equilibrado, as aves vão consumir as lagartas e travar a sua multiplicação”, explicou Chicamisse.
O terceiro método é científico, com recurso a agentes biológicos, organismos benéficos que podem ser libertados no ambiente para atacar especificamente as lagartas nocivas, sem prejudicar as pessoas nem as plantas. Trata-se de uma técnica aplicada em vários contextos agrícolas para reduzir pragas de forma sustentável, evitando o uso de químicos agressivos.
O responsável tranquilizou a população, sublinhando que o Namunene não representa risco directo para a agricultura no seu estado final de borboleta ou mariposa, mas apenas na fase larval, quando se alimenta dos brotos e liberta pêlos que provocam irritações cutâneas em pessoas mais sensíveis.
Chicamisse acrescentou que os efeitos sobre a saúde não são uniformes, pois “há pessoas mais alérgicas e outras menos alérgicas”. Para os mais vulneráveis, os pêlos finos que se soltam das lagartas com o vento podem causar “comichão intensa, borbulhas e até pequenas lacerações na pele”, sobretudo quando se espalham pelos quintais, varandas e até entram pelas janelas para dentro das casas.
O director explicou ainda que a presença das lagartas coincide com determinados períodos do ciclo biológico e reprodutivo das árvores. “Na fase de brotação e floração das plantas, elas alimentam-se da seiva e crescem até completar o seu ciclo. No final, transformam-se em borboletas, que não causam problemas à agricultura”, concluiu. Isabel Abdala