SOCIEDADE
Académico alerta que juventude africana precisa superar fanatismo partidário para impulsionar o desenvolvimento
O especialista em Sociedade e Relações Internacionais, Celestino Taperero Fernando, alerta que a juventude africana enfrenta desafios estruturais que comprometem o desenvolvimento do continente. Segundo o académico, muitos jovens continuam a confundir ideologia partidária com identidade nacional, o que limita a construção de políticas públicas efectivas e atrasa o progresso social.
Para o especialista, o primeiro passo para ultrapassar esta “doença ideológica” é o desenvolvimento da autoconsciência, autoafirmação e aceitação da diversidade.
“A juventude africana deve conhecer o que é uma nação e distinguir isso da ideologia partidária. Quando se compreende a nação como um todo, e não como um partido, torna-se possível separar os interesses do país dos interesses partidários”, observou.
Taperero Fernando sublinhou que partidos políticos não são fontes de desenvolvimento, mas sim instrumentos para conduzir indivíduos ao poder.
“O partido é apenas uma instituição que coloca pessoas no governo. Se o jovem compreender o sentido de nação, quando atingir o poder trabalhará para o desenvolvimento nacional, e não para a agenda partidária”, afirmou.
O académico considera que fenómenos como a fome, pobreza e fragilidade económica tornam muitos jovens vulneráveis à captura partidária. Esta dependência, explica, prejudica a formação de cidadãos críticos e enfraquece a capacidade de exigir políticas públicas consistentes.
Outro problema identificado é a instrumentalização do espaço universitário.
“Nas universidades, muitos jovens entram primeiro para filiar-se a um partido, e só depois lembram-se de que estão ali para adquirir conhecimento e ajudar a desenvolver o país. A prioridade tem sido o cartão do partido, e não o saber”, denunciou.
Para reverter este cenário, Taperero Fernando defende que os jovens devem libertar-se das amarras partidárias e assumir uma visão de desenvolvimento assente no conhecimento, pluralidade e responsabilidade cívica.
“Só será possível discutir políticas públicas eficazes quando a juventude tiver autoconsciência, autoafirmação e aceitar a diversidade. A diversidade de ideias é um vector essencial do desenvolvimento”, concluiu. Vânia Jacinto
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