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OPINIÃO

A violência no namoro e os sinais que a sociedade continua a ignorar

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A violência no namoro tornou-se um dos fenómenos mais silenciosos e mais devastadores entre os jovens moçambicanos. Cresce diante dos nossos olhos, disfarçada de “ciúme”, “preocupação”, “brincadeira” ou “excesso de amor”. E, mesmo assim, a sociedade insiste em ignorar os sinais. O resultado? Jovens emocionalmente destruídos, relações tóxicas que se convertem em casamentos abusivos e um ciclo de violência que se perpetua de geração em geração.

A pergunta que precisamos enfrentar é simples e perturbadora: porque é que os jovens estão a normalizar comportamentos que deveriam ser bandeiras vermelhas?

  1. O Amor Deturpado: Quando o Controle é Chamado de Carinho

Entre estudantes do ensino secundário e universitário, é cada vez mais comum ouvir expressões como:

  • “Ele não quer que eu fale com outros rapazes porque me ama.”
  • “Ela lê as minhas mensagens porque se preocupa comigo.”
  • “Ele ficou irritado porque eu saí sem avisar… normal, sou a namorada dele.”

Este tipo de discurso revela uma compreensão profundamente distorcida do amor.
O que muitos jovens chamam de “cuidado” é, na verdade, controle, insegurança e possessividade — comportamentos que são os primeiros degraus para a violência psicológica, emocional e física.

O controlo sobre o telemóvel, roupas, amizades e horários não é prova de amor; é prova de perigo.

  1. A Cultura que Romantiza o Ciúme e Normaliza a Agressão

A música, os filmes, os conteúdos das redes sociais e até conversas entre amigos reforçam a ideia de que:

  • ciúme é sinal de amor,
  • bater “um pouquinho” é sinal de paixão,
  • discutir com violência é normal,
  • ameaças são parte da relação,
  • e “quem ama, sofre”.

Esta mentalidade tem custado vidas. A violência no namoro já não se limita a discussões acaloradas — ela manifesta-se através de:

  • insultos públicos e privados,
  • manipulação emocional,
  • chantagem,
  • controlo financeiro,
  • exposição íntima nas redes sociais,
  • agressões físicas,
  • ameaças de morte,
  • e, em casos extremos, feminicídio.

Os tribunais moçambicanos e as esquadras registam cada vez mais casos envolvendo jovens de 14 a 25 anos.E, ainda assim, uma parte significativa da sociedade reage com frases do tipo:

“São coisas de namoro.”
“Isso passa.”
“Ele é assim mesmo, mas no fundo gosta dela.”
“A culpa é dela porque provocou.”

Este tipo de resposta social é cúmplice. O silêncio também mata.

  1. O Medo de Terminar: O Cativeiro Emocional dos Jovens

Muitas raparigas e rapazes permanecem em relações abusivas porque:

  • têm medo de ficar sozinhos,
  • não querem ser julgados pelos amigos,
  • acreditam que podem “mudar” o parceiro,
  • foram ensinados que o sofrimento é parte do amor,
  • dependem financeiramente do agressor,
  • têm medo de represálias,
  • ou sentem vergonha de pedir ajuda.

A violência emocional cria um cativeiro psicológico que prende a vítima muito antes da primeira agressão física.

 

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