SOCIEDADE
Falta de combustível paralisa actividade pesqueira em Mossuril
A escassez de combustível está a condicionar a actividade pesqueira no distrito de Mossuril, obrigando vários pescadores a interromper as saídas ao mar e a enfrentar longos períodos de inactividade. A situação afecta sobretudo os que utilizam embarcações motorizadas, devido à irregularidade no abastecimento nos postos locais.
Os postos de abastecimento do distrito chegam a ficar até uma semana sem combustível, o que impede a realização regular da actividade pesqueira e compromete a principal fonte de rendimento de várias famílias.
Orlando Mateus, pescador há 14 anos, tem na pesca a sua principal actividade, através da qual sustenta a sua família. Nos últimos meses, afirma que tem enfrentado grandes dificuldades devido à escassez de combustível e à consequente subida de preços.
Quando iniciou a actividade, Orlando utilizava um barco movido a vela, mas, devido à dependência do vento e à irregularidade do trabalho, optou por uma embarcação motorizada, que lhe garante maior praticidade.
“A falta de combustível é um problema grave para quem depende dele no dia a dia. É comum ficarmos mais de cinco dias à espera nos postos de abastecimento e, por conta dessa escassez, chegamos a passar uma semana inteira sem conseguir pescar. O governo sempre promete soluções nas reuniões que temos, mas nunca cumpre. As únicas promessas que cumpriu são os projectos ‘Mais Peixe’ e o ‘ProAzul’, que nos garantem benefícios de financiamento”, afirmou.
A preocupação é igualmente partilhada por outros pescadores, que dizem estar a enfrentar as mesmas dificuldades, com impacto directo na redução da produção e no rendimento familiar.
Além das dificuldades relacionadas com o combustível, os pescadores denunciam ainda o aumento de roubos de materiais de pesca. Amisse Momade refere que já perdeu vários equipamentos e que o problema é recorrente entre os colegas.
“Outra grande dificuldade são os roubos frequentes de anzóis. Eu mesmo já perdi cinco rolos. Os ladrões vêm à noite, levam o que querem e vão embora. E não sou o único: vários outros colegas também já passaram pelo mesmo”, disse.
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